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Saúde Mental e Exercício Físico

  • Foto do escritor: Vitor Lopes
    Vitor Lopes
  • 10 de out. de 2024
  • 3 min de leitura

Hoje, 10 de outubro, é comemorado o Dia Mundial da Saúde Mental e eu não poderia deixar de falar um pouco sobre o assunto. Estamos vivendo em uma época em que diversos fatores, muitas vezes inter-relacionados, contribuem para o aumento do sofrimento mental numa parcela cada vez maior da sociedade. As incertezas inerentes ao nosso tempo têm deixado muitos de nós com uma angústia no peito que pode ser só o início de algo maior e potencialmente mais perigoso. De um lado, a iminência de uma guerra de proporções globais; de outro, a cultura de hiperexposição de si em redes cada vez menos sociáveis; num outro canto, temos esse caos climático que está só começando e ainda vai piorar muito; tem também a ascensão de uma parcela cada vez mais autoritária da população, com representantes chegando ao poder e corroendo as instituições por dentro, basta ver o parlamento brasileiro, mas não só ele, o fenômeno é global. Esses são só alguns dos inúmeros exemplos que eu poderia dar sobre o que pode afetar nossa saúde mental. Estamos, invariavelmente, vivendo um momento bastante hostil à ela. E tende a piorar. Por isso, a despeito da sua incrível resiliência e capacidade de se adaptar, nosso sistema nervoso pode, eventualmente, se fragilizar.


Para ficarmos na mesma página, vou começar dizendo o que é, afinal, saúde mental. A saúde mental pode ser vista como um espectro, onde, para um lado se vai para estados de bem-estar (emocional, psicológico e social) e para o outro se vai para condições de sofrimento, como depressão e ansiedade, por exemplo. Diversos fatores influenciam a saúde mental. Desequilíbrios neuroquímicos e predisposição genética são fatores biológicos que podem influenciá-la. Padrões de pensamento e possíveis traumas são fatores psicológicos com bastante potencial de abalo à saúde mental. E há também os fatores sociais, que também são devastadores, como é o caso do isolamento. O número de pessoas com sintomas e distúrbios psiquiátricos aumentou significativamente após o - necessário - isolamento social da pandemia de covid-19.


Por sorte, temos uma ferramenta com impacto positivo na saúde mental cada vez mais consolidada: a atividade física. Por meio do exercício físico, podemos modular a liberação de um hormônio relacionado ao bem-estar, a endorfina. Ela dá aquela sensação gostosa de recompensa que é bastante comum assim que concluímos um treino, mas também podemos sentir durante, bastante tempo depois ou até antes, dependendo de como é a nossa relação afetiva com o exercício. O exercício físico também está relacionado à neuroplasticidade, que é a capacidade do cérebro se adaptar e mudar ao longo da vida, formando novas conexões neurais e modificando as já existentes, além de participar da regulação de diversos neurotransmissores. Isso tem um impacto importante em funções cognitivas, como a memória e a atenção e também na prevenção de doenças neurodegenerativas.


Segundo um estudo publicado este ano no British Medical Journal, onde foram analisados mais de 200 ensaios clínicos controlados e randomizados, totalizando mais de 14 mil participantes, o exercício físico, a depender da modalidade, teve efeito maior que a terapia cognitiva comportamental e que medicamentos antidepressivos na redução dos sintomas. Embora sejam promissores, os resultados devem ser analisados com cautela. Ainda assim, este e outros estudos vêm mostrando que o exercício físico deve ser parte inalienável do tratamento de transtornos psiquiátricos. Já a melhora de funções cognitivas traz luz à sua importância também no tratamento e prevenção de doenças como o Alzheimer e o Parkinson, por exemplo. O impacto da prática de exercícios em outros sistemas também tem consequências em desfechos como o AVC, prevenindo ou reabilitando.


Não faltam motivos para incluir o exercício físico na rotina diária e a saúde mental é só um deles. Vale lembrar que, para que se tenha o melhor aproveitamento possível dessa ferramenta, ela deve ser prescrita por um profissional de educação física. Mas não espere o cenário perfeito, qualquer movimento importa! Escolha uma atividade e comece. Caminhe, pedale, corra, nade, levante peso, reme… São inúmeras possibilidades!


Vitor Lopes

Profissional de Educação Física - CREF 25348-G/SC

Especialista em Fisiologia Clínica do Exercício (UFSCar)

Pós-graduando em Neurociências (UNIFESP)

Graduando em Ciências Sociais (UFSC)

 
 
 

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